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terça-feira, 29 de maio de 2012

Mancha Verde: lançamento do enredo 2013.


Com a presença de sua comunidade, diretoria e representantes de vários segmentos, a escola de samba Mancha Verde promoveu grande festa para lançar oficialmente o seu enredo para o Carnaval de 2013.
Quarta colocada pelo terceiro ano consecutivo na folia paulistana, a agremiação alvi-verde mostrou que está bastante motivada e empenhada para realizar mais um grande desfile e conquistar o inédito campeonato do grupo especial.
O tema "Mário Lago - O Homem do Século XX" foi lançado oficialmente em grande estilo, com direito a feijoada e apresentação teatral.
O palco do evento realizado na tarde do último sábado foi o Hotel Holiday Inn, na zona norte de São Paulo. Na ocasião, o presidente Paulo Serdan recebeu convidados, parceiros e representantes de agremiações co-irmãs para festejar o lançamento do enredo.
Quem esbanjou simpatia e devoção ao pavilhão verde e branco foi a rainha de bateria Viviane Araújo que em comentou que sua ligação com a Mancha Verde é um casamento que deu certo.
"São oito anos com essa família. Através da Mancha tive o privilégio de fazer parte do Carnaval de São Paulo que é um espetáulo que cresce a cada ano", afirma.
Outra beldade que fez questão de participar da festa foi a musa Juju Salimeni.
Vivendo grande momento em sua carreira no meio artístico, a assistente de palco do programa "Legendários" da "Rede Record", disse que se sente orgulhosa em fazer parte da Mancha Verde e que está bastante ansiosa para o desfile do próximo ano.
"Tenho um carinho enorme pela comunidade. A cada evento o meu amor pela escola aumenta. É sempre motivo de alegria poder participar de momentos como este", declara Juju.
Presidente da Mancha
Autor do enredo de 2013, o presidente da Mancha Verde, Paulo Serdan, demonstrou bastante satisfação pela resposta da comunidade em relação a proposta da diretoria.
"Tenho certeza que este enredo levará a nossa escola novamente ao desfile das campeãs. Mário Lago é referência das mais importantes quando o assunto é cultura brasileira", afirma.
Segundo Serdan, oitenta por cento dos desenhos dos figurinos já estão prontos e em breve será iniciada a confecção das fantasias. No final de junho, serão iniciados os trabalhos no barracão.
Filho e Mário Lago se emociona com apresentação teatral do enredo
Quem presenciou a apresentação teatral do enredo para o próximo Carnaval da Mancha Verde foi Antônio Henrique Lago, um dos
filhos de Mário Lago.
Emocionado, Antônio disse que foi impossível conter as lágrimas ao recordar importantes momentos da trajetória de seu pai.
A história de Mário Lago se confunde com a do nosso teatro de revista, do rádio, do cinema, da música popular, da política, da militância e da boemia.
Lago foi advogado, poeta, radialista, letrista e ator. Escreveu 30 peças de teatro, publicou 11 livros, teve dezenas de composições gravadas, incontáveis atuações em novelas e uma vida cheia de história marcada por sua militância política e pelo seu senso de justiça e de direito.
Autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com Ataulfo Alves, fez-se popular entre as décadas de 40 e 50 e já foi tema do desfile da escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz em 2001.
Confira a  pré-sinopse da escola:
Mario Lago nasceu na histórica Rua do Resende, no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1911, filho único de Antônio Lago, um jovem compositor, maestro e violinista de sucesso, de uma família de músicos; e de Francisca Maria Vicência Croccia Lago, jovem descendente de calabreses, oriunda também de família de músicos. A família de Mario Lago, fazia valer sua influência italiana. Desde criança, a arte exerceu absoluto fascínio sobre Mario Lago; uma atração igualada apenas pela política, pela boemia e pela família. 

A influência do Pai que foi primeiro violino da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi intensa. 

Este, mudou-se de Piracicaba em 1906 e passou a dedicar-se a música atuando como regente em teatros de revista. Chegou a ser convidado para ser regente de coros no Teatro Colon de Buenos Aires. Suas composicões mais famosas foram as canções "O dia nasce", com Abadie Faria Rosa; "Penso em ti", com 
Aníbal Pacheco e Celestino Silva e "Estilização" e a modinha "Modinha".

Com sete anos de idade, em 1918, é internado, vítima da epidemia de gripe espanhola que assola o Rio de Janeiro e parte do Brasil. É curado, e deixa o hospital. Ainda em 1918, começa a estudar piano com a esposa de Villa-Lobos, Lucila. Desiste anos depois alegando que o piano o exigia muita disciplina - Era um preguiçoso assumido. (compôs o samba 'salve a preguiça, meu pai).

Teve uma intensa convivência com o avô o anarquista, Giuseppe Croccia, defensor de ideias desenvolvimentistas. Dividia com ele o quarto e durante muitas noites ouviu seus discursos inflamados, o que, com certeza colaborou para sua formação política progressista e engajada. Em 1920, Giuseppe foi intusiasta da obra de desmonte do Morro do Castelo, no centro do Rio, local que se destinaria às exposições do 1º Centenário da Independência do Brasil e à Exposição Internacional. Mario Lago acompanhou as obras e toda a movimentação em torno da comemorações do centenário com diversas delegações de outros países. Foi matriculado no tradicional Colégio Pedro II. E aos doze anos de idade, o adolescente Mário já liderava uma greve estudantil no Colégio contra a obrigação recém-instituída de levar canecas de casa. Nessa instituição modelar de ensino teve a influência de outro anarquista, o professor de português José Oiticica, que volta e meia ia preso, enquanto seus alunos vibravam com as peripécias da 
Coluna Prestes, expressão maior da rebeldia militar tenentista. Nascido e criado na região central do Rio de Janeiro, Mario Lago teve sua formação intelectual e social extremamente influenciada pelo universo da região do bairro boêmio da Lapa, na região central do Rio de Janeiro. O bairro da Lapa com seus famosos cabarés e restaurantes, era freqüentado pela fina flor dos artistas, intelectuais, políticos, diplomatas e malandros. Daquela época até hoje, a Lapa continua a pulsar. Quando a noite se vai, o burburio dos engravatados começa a surgir e os raios de sol começam a aparecer, subindo em uma de suas vielas ou becos aparece o malandro, chapéu panamá, calçado brilhoso, terno impecável e mulher a tira-colo, partindo para o descanço merecido de uma noite bem vivida. Ficou conhecido como Lagartão da Lapa, pelo tipo esguio, pela lingua afiada... Foi neste ambiente que Mario Lago formou sua personalidade, fugindo do Colegio Pedro II, tradicional reduto da elite carioca. Era lá que vivia sua aventuras vespertinas, ainda 
adolescente.

"Eu já freqüentava a Lapa. A Lapa não foi conseqüência, não. A Lapa foi ponto de partida. Porque eu morava perto. Eu com 16 anos já estava freqüentando a Lapa... E protegido por um malandro cuja vida tinha sido salva por meu pai, então ele me protegia, o Felipe Bonitinho. Então ele me protegia porque papai salvou a vida dele. Papai era diretor da Orquestra do Clube do Joá, que ficava em cima, na esquina, e ouviu dois caras combinando que iam fechar Felipe Bonitinho. Quando Felipe Bonitinho chegou, papai saiu do palanque e foi falar com ele: "Vai embora, porque tão querendo matar você". Eu comecei a freqüentar a Lapa, aí eu tava na bilheteria conversando com o pessoal: "Mário Lago, Mário Lago...", e um cara olhando pra mim, eu já tava invocado... Eu quase mandei ele pastar, eu já tava invocado... Aí saiu todo mundo, ele chegou e disse: "Posso sentar aí", perguntou, "Você é parente do maestro Lago?". Eu digo: "sou filho". 

"Sabe que seu pai salvou minha vida?". E contou a história. E o mais engraçado é que, quando contei isso a papai, ele disse: "não me lembro"... Foi depois daí que eu comecei a freqüentar a Lapa, porque eu era estudante, no Pedro II. Eu conheci então a grande palavra do estudante, que é gazeta, né?... Até fui reprovado por isso. Eu queria mais ficar ali do que no Pedro II. Comecei ali... Papai era de teatro, maestro... Quer dizer, minha vivência em casa era sempre de música, de maestro e tal...

Depois, lá pela década de 40, é que eu mergulhei fundo, três anos de freqüentador da Lapa. O passo já ia sozinho, Café Nice, depois que o Nice fechava ia pros cabarés da Lapa. Fui amigo de tudo que era vagabundo, era tudo amigo meu. Às vezes, mas eles não era do cabaré que eu freqüentava. Tinham três cabarés, o Royal Pigalle, um outro que eu não me lembro o nome e o Novo México, perto dos Arcos.

"Não, era um outro tipo de vida... A única coisa violenta que eu vi foram duas: a prisão do Madame Satã, que não era fácil pra prender.. Nunca foi preso por menos de seis guardas, jogava muito com a perna, né?... E a briga dele com Geraldo Pereira. O Madame Satã era uma moça e o Geraldo Pereira também era uma moça, quando não estava de porre. Quando estava de porre, ele saía procurando briga. E lá na Lapa ele cismou com o Madame Satã, cismou... ficava dizendo "Você é viado!...", "Tá bem, seu Geraldo...". Até que o Geraldo disse: "Vou lhe dar uma porrada...". Aí ele disse: "ah, não vai não...". E o Madame Satã só dava rabo de arraia na barriga do Geraldo, que tinha um câncer no intestino.. Estourou o cano. Porque quando ele foi dar uma porrada: "Ah, não vai não, seu Geraldo...". O Madame Satã era difícil de pegar, chinelinho de salto alto, tamanquinho todo florido e tal... - Você presenciou essa briga? "Presenciei, as duas, foram as únicas coisa realmente violentas que eu vi ali".

A vida política iniciada na Colégio e influenciada pelo avô anarquista, manifesta-se com a arte e através da imprensa. Em 1926, publica seu primeiro poema, 'Revelação' na revista Fon Fon, publicação sobre a vida cotidiana da sociedade brasileira que durou décadas. Ainda deste ano passa a escrever para o o Jornal 'O Radical', o único jornal que, num longo período da vida pública brasileira, jamais deixou de combater o jogo político brasileiro. Começa ai a se expor como um combativo contestador da ordem política vigente.

Sua atuação política lhe custa a liberdade, com seis prisões no total, sendo a primeira em 1932: Em 21 de janeiro, já na Juventude Comunista, é preso pela primeira vez. Após um comício na porta da fábrica de tecidos Mavilis, da América Fabril... Adota o codinome de Pádua Correia, uma homenagem ao nome com o qual sua mãe queria batizá-lo - Mário de Pádua Jovita Correia do Lago - e que acabou encurtado para 
Mário Lago, por decisão pai. Ao ser solto, é conduzido por policiais até a fronteira com o Uruguai e ameaçado de morte. Passa dois meses como clandestino no Uruguai, e retorna ao Brasil. Ao voltar ao Brasil, ainda em 32, entra para o Bola Preta, tradicional cordão carnavalesco do Rio de Janeiro, que existe até hoje, do qual carrega os estandarte e para o qual compõe hino: 'Braço é Braço' .

Em 1933, termina a faculdade de Direito e estagia em um escritório de advogados por três meses; quando desiste da profissão. Neste ano estreia como autor de teatro de revista, com a peça 'Flores à Cunha', escrita exatamente para provocar o general e político Flores da Cunha, que apoiava Getúlio Vargas em sua 'revolução'. O teatro de revista foi um genêro popular no Brasil, um veículo de difusão de modos e costumes, como um retrato sociológico, ou como um estimulador de riso e alegria através de falas irônicas e de duplo sentido. O teatro Recreio, na praça Tiradentes no Centro do Rio era sua 'casa'.

Em 35, iniciou sua vida de letrista e compôs a marcha 'Menina, Eu Sei de Uma Coisa' com Custódio Mesquita, gravada em por Mário Reis.

Em 1936 escreve para o teatro de revista a peça o 'Sambista da Cinelândia', encenada pela companhia teatral Casa de Caboclo, no Theatro Phenix, que ficava na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Almirante Barroso Estreou em 22 de abril de 1936, sendo que a interpretação do samba-título era de Jurema de Magalhães, num quadro em que interpretava uma sambista de morro que era recrutada para trabalhar numa emissora de rádio. Era um contraponto à até então repressão ostensiva da polícia ao sambista, quando então o samba como genêro, passa a ser mais aceito pela sociedade.

Sambista, desce o morro/ Vem pra Cinelândia, vem sambar/ Que a cidade já aceita o samba/ E na Cinelândia só se vê gente a cantar/ Hoje está tudo tão mudado /E acabou-se a oposição/ Escolas há por todo lado/ De pandeiro e violão/ O morro já foi aclamado/ E foi um sucesso colossal/ E o samba já foi proclamado/ Sinfonia nacional/
Sua músca 'Nada Além' sobre as dores do amor se torna sucesso no ano de 1938.
Nada além/ Nada além de uma ilusão/ Chega bem/ E é demais para o meu coração/ Acreditando em tudo que o amor/ Mentindo sempre diz /E vou vivendo assim feliz/ Na ilusão de ser feliz/ Se o amor Só nos causa sofrimento e dor/ É melhor/ Bem melhor a ilusão do amor/ Eu não quero e não peço/ Para o meu coração/ Nada além de uma linda ilusão

E Orlando Silva grava em maio de 1938, a música de Mario Lago: 'Enquanto Houver Saudade'
Não posso acreditar/ Que algumas vezes/ Não lembres com vontade de chorar/ Daqueles deliciosos quatro meses/ Vividos sem sentir e sem pensar/ Não posso acreditar/ Que hoje não sintas/ Saudade dessa história singular/ Escrita com as mais suaves tintas/ Que existem pra escrever o verbo amar/ Enquanto houver saudade/ Pensarás em mim/ Pois a felicidade/ Não se esquece assim/ O amor passa mas deixa/ Sempre a recordação/ De um beijo ou de uma queixa/ No coração.

No auge da sofisticação dos cassinos cariocas e aproveitando os astros da música no rádio, João de Barro e Mário Lago escreveram em 1939, Banana da Terra e o roteiro dessa comédia musical que apresenta alguns clássicos: começando com Carmen Miranda cantando 'O Que É Que A Baiana Tem', do até então desconhecido Dorival Caymmi. O sucesso é tão grande que Carmem adota a baiana estilizada e, meses depois, segue para Hollywood passando por ''A Jardineira'' na voz de Orlando Silva; ''Tirolesa'' com Dircinha Batista; e ''Sei Que é Covardia'' com Carlos Galhardo. Com Roberto Roberti, em 1940, Mario Lago compõe outro grande sucesso nas marchinhas de carnaval: 'Aurora', que. continua sendo hoje, 72 anos depois, uma das mais tocadas nos bailes de carnaval Brasil afora. 'Aurora' é gravada pela dupla Joel e Gaúcho. A música tem repercussão internacional na interpretação de Carmem Miranda. O filme Segure o Fantasma (Hold that ghost), da dupla Abbot & Costello, inclui versão em inglês da marchinha apresentada pelas Andrew Sisters.

Se você fosse sincera/ Oh, oh, oh, Aurora/ Veja só que bom que era/ Oh, oh, oh, Aurora/ Um lindo apartamento/ Com porteiro, elevador/ Um ar refrigerado/ Para os dias de calor/ Madame antes do nome/ Você teria agora/ Oh, oh, oh, Aurora.

O diretor teatral Joracy Camargo convida Mario Lago a subir ao palco no lugar do galã principal da peça "O Sábio". Assim, em 1942, por acaso, Mário Lago torna-se ator. Logo em seguida atua em uma das mais expressivas obras de Nelson Rodrigues, 'O Beijo no Asfalto', uma crônica da vida cotidiana da classe média baixa carioca, que seria atual nos dias de hoje. Mario Lago faz o papel de Aprígio, pai de Selminha, a protagonista da obra.

Ainda em 1942, é gravado um de seus maiores sucesso na área musical, a marchinha carnavalesca 'Ai que saudades da Amélia'. Que hoje, 7 décadas mais tarde, ainda é referência em nosso cancioneiro, sendo regravada em diversos estilos musicais, utilizada em comerciais de rádio e televisão, E, no dia-a-dia é usada como menção à mulher perfeita, mesmo anos após a mulher brasileira ter passado pela sua revolução profissional. Amélia existiu, era empregada doméstica na casa de Almeidinha, irmão de Aracy de Almeida, que foi parceiro musical de Mario Lago, e que sugeriu o tema que resultou na marchinha.

Nunca vi fazer tanta exigência/ Nem fazer o que você me faz/ Você não sabe o que é consciência/ Nem vê que eu sou um pobre rapaz/ Você só pensa em luxo e riqueza/ Tudo o que você vê, você quer/ Ai, meu Deus, que saudade da Amélia Aquilo sim é que era mulher/ Às vezes passava fome ao meu lado/ E achava bonito não ter o que comer/ Quando me via contrariado Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"/ Amélia não tinha a menor vaidade/ Amélia é que era mulher de verdade

Era início de 1944 e a convite de Oduvaldo Vianna foi ser autor, ator, diretor e apresentador na recém-criada Radio Pan-Americana em São Paulo. Como parceiro, o amigo de sempre, Oswaldo Louzada; a emissora iria ao ar somente depois do carnaval. Mário aproveitou para passar a folia no Rio e, na chegada, na manhã de sábado, uma surpresa agradável: "Atire a primeira pedra", nova parceria com Ataulfo Alves, já estava na boca do povo. Na temporada paulista, o mesmo de sempre: cabarés, mulheres, prisão por desobedecer a determinações da censura.

Acabou voltando para o Rio e em 1945, entrou para a Rádio Nacional, então responsável pela febre que assolava o país, a radionovela. Cantores e locutores eram sobrepujados em popularidade pelo rádio-teatro. Mário, ainda estava longe dessa seara. O emprego na Radio Nacional não foi muito longe. Novamente, desobediência à censura. Dessa vez, não deu prisão, mas demissão. E Mario Lago se transfere para a rádio Mayrink Veiga. É quando estreia no cinema em 'Asas do Brasil' um filme da Cia. Atlântida, com participação de Oscarito, sobre a vida dos pilotos de avião brasileiros, que teve a colaboração da Força Aérea Brasileira. No mesmo ano, a música de sua autoria, 'Atire a Primeira Pedra' é gravada.

Covarde sei que me podem chamar/ Porque não calo no peito essa dor/ Atire a primeira pedra, ai, ai, ai/ Aquele que não sofreu por amor/ Eu sei que vão censurar meu proceder/ Eu sei, mulher/ Que você mesma vai dizer/ Que eu voltei pra me humilhar/ É, mas não faz mal/ Você pode até sorrir/ Perdão foi feito pra gente pedir.

Em 23 de março de 1947, conhece Zeli Cordeiro, filha do dirigente comunista Henrique Cordeiro, em um comício do Partido Comunista no Largo da Carioca, no Rio. Em novembro, os dois se casam. E permanecem casados por 50 anos. Mario, apesar da vida boêmia, soube como poucos preservar a família, o casamento, a união com os filhos. Primeiro livro de Mário Lago, "O povo escreve a história nas paredes", escrito em 1948, reúne poemas políticos que abordam temas como o direito à terra, a defesa dos trabalhadores, a luta em defesa do petróleo brasileiro, entre outros. Ele inclui ainda paródias do próprio 
Mário para algumas de suas músicas mais famosas, como Amélia. Também lidera a campanha: 'O nosso petróleo é nosso", de tons nacionalistas.

Em 1949, Mario Lago é preso pela segunda vez, na redação do jornal clandestino "A Classe Operária" editado pelo PC do B, é então afastado da rádio Mayrink Veiga. Chamado pelo dramaturgo Dias Gomes, Mario Lago passa a trabalhar para a Rádio Bandeirantes de São Paulo. Em 1950 candidatou-se a deputado estadual pelo Partido Social Trabalhista, de São Paulo. Durante um discurso, chama o governador de São Paulo, Ademar de Barros, de calhorda. Em consequência disso, foi demitido da Rádio Bandeirantes, pois Ademar de Barros era o dono da emissora. Voltou para a Rádio Nacional no Rio de Janeiro. Foi um dos narradores da novela cubana 'O Direito de Nascer'. Em 1951 foi ao ar pela Rádio Nacional o maior fenômeno de audiência em radionovelas em toda a América Latina: era O Direito de Nascer. Texto original de Felix Caignet com tradução e adaptação de Eurico Silva. O original possuía 314 capítulos o que correspondia a quase três anos de irradiação. No elenco estavam Nélio Pinheiro, Paulo Gracindo, Talita de Miranda, Dulce Martins, Iara Sales, entre outros. Direito de Nascer surpreendeu a todos os críticos e a todas as previsões que afirmavam que o rádio-teatro era um gênero em decadência e que o público brasileiro não se interessava por longas tramas. Neste ano escreve a novela 'Presídio de Mulheres', sucesso da radionovela por 5 anos.

Sua primeira aparição na TV como ator, foi na TV Rio, com o programa 'Câmera um', de Jacy Campos em 1954.

Em abril de 1954, é preso pela terceira vez, em sua casa, em Copacabana, no Rio, pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e levado para a ilha das Flores. É transferido para o presídio Fernandes Viana, na Frei Caneca, e fica preso por 58 dias. É demitido da Rádio Nacional pelo Ato Institucional n° 1, junto com mais 35 colegas da emissora.Ficou dois anos sem trabalhar. Quando voltou, estava sem dinheiro e sua família passava dificuldades. Ajudado por Dercy Gonçalves, saiu da rádio direto para a TV. "Deixa esta besteira de partido para lá. É hora de pensar no leite das crianças", disse Dercy. Em 1965, Trabalha no filme 'O Padre e a Moça', de Joaquim Pedro, baseado no poema de Carlos Drummond de Andrade abrindo uma sequência de atuações marcantes no cinema. A chegada de um jovem padre sacode o imobilismo de uma pacata cidadezinha de Minas Gerais. E entre o padre e uma bela jovem da cidade surge uma atração, de início casta, e que se transforma em paixão ardente.

Sua estreia na teledramaturgia na TV Globo se deu na novela O Sheik de Agadir foi uma telenovela de Glória Magadan exibida na Rede Globo de 18 de julho de 1966 a 17 de fevereiro de 1967 às 21h30. Com direção de Henrique Martins e Régis Cardoso. Teve 155 capítulos e foi baseada no romance Taras Bulba, de Nicolai Gogol. Mario Lago fez o papel de Otto Von Lucken. Em 1967, atua no clássico filme 'Terra em Transe' de Glauber Rocha no papel de Captain. Grande clássico do Cinema Novo, o filme faz duras críticas à ditadura exatamente em seu auge.

O ano de 1968 foi intenso não só pela produção cultural mas também pela conturbada situação política que viveu Mario Lago. Adapta, para a TV Tupi de São Paulo, o seriado 'Presídio de Mulheres'. Atua no filme 'Bravo Guerreiro', de Gustavo Dahl, e na peça 'Os Inconfidentes'' encenado no teatro municipal do Rio de Janeiro, que tem direção de Flávio Rangel, poesia de Cecília Meireles e música de Chico Buarque. Vale a pena registrar o que o grande artista e compositor manifestou em discurso, numa das sessões, no final da peça. O texto foi gravado por um agente do SNI, Serviço Nacional de Informações:

"Acabamos de apresentar um espetáculo que fala e luta pela liberdade. Lutar pela liberdade é uma obrigação que o homem tem diante da vida, uma luta permanente como o próprio texto diz: uma voz se despediu, uma outra nasceu. A mocidade estudantil brasileira luta juntamente com todos pelas liberdades gerais, mas também tem as suas lutas específicas por mais verbas, para que se estude melhor; contra os aumentos das anuidades, para que todos possam freqüentar as escolas... Os atores apóiam a luta dos estudante. À saída do teatro os senhores encontrarão vários estudantes recolhendo fundos para essa luta que eles estão travando. Que as palmas que nos foram dadas se transformem em contribuição para essa luta tão importante. Muito obrigado".

No dia 14 de dezembro, um dia após a edição do AI-5, é preso pela quarta vez, antes de entrar em cena, na peça "Inspetor, Venha Comigo". É libertado no dia 31 de dezembro.

No ano seguinte, em 25 de fevereiro, é preso pela quinta vez, por ter feito a tradução de um livro sobre a Guerra do Vietnã. Volta à prisão meses depois, (a sexta vez) quando da visita do senador norte-americano Nelson Rockfeller ao Brasil. Em 1971, Mario Lago atua em 'São Bernardo'; um drama brasileiro, dirigido por Leon Hirszman e com roteiro baseado no romance de Graciliano Ramos. É história de um mascate consegue se transformar em um próspero fazendeiro, só que ele é um homem torturado constantemente por suas obsessões e desconfianças. Como ator de telenovela, e em um grande sucesso de Janete Clair, 'Selva de Pedra', Mario Lago é Sebastião, pai de Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco), que, seduzido pelo poder, põe em risco sua felicidade ao lado da mulher, Simone (Regina Duarte). É o ano de 1972. Em 1974, Mario Lago escreve 'Foru Quatro Tiradentes na Conjuração Baiana', sobre a Revolução dos Alfaiates, na Bahia. Proibida pela Censura, teve uma única leitura pública, com participação do próprio Mário, ao lado dos atores Oswaldo Loureiro, Wanda Lacerda, Francisco Milani e Milton Gonçalves, entre outros. E está sendo produzida desde 2012 no teatro. Mário Lago, publica em 1975, a pesquisa folclórica 'Chico Nunes das Alagoas'. Sobre o maior repentista brasieliro. Na visão de Mario Lago, Chico era um vagabundo, mas poeta; irresponsável, mas poeta; cachaceiro, mas poeta; pornográfico e grosso, mas poeta. Tudo que se falar dele tem que acrescentar "Poeta", porque ninguém o foi mais do que ele.

No mesmo ano, atua na novela de Janete Clair, 'Pecado Capital'. Primeira novela em cores transmitida às 20h, Pecado Capital buscou tratar com realismo o universo suburbano carioca a partir de um triângulo amoroso formado por um taxista, um viúvo rico e uma jovem operária que sonha em melhorar de vida. Mário Lago trabalhou nas duas versões da novela, no mesmo papel: Dr. Amato, o advogado.
Como Atílio, Mario Lago vive um grande momento de sua carreira de ator, na novela 'O Casarão' de 1976, que mostrou a decadência social de toda uma geração que dependeu da cultura cafeeira no interior de São Paulo. Um grande sucesso embalado pela música fascinação de Elis Regina. Por esta atuação, recebe o prêmio de melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Neste ano Publica o livro autobiográfico "Na rolança do tempo". Inventada por Mário, a palavra rolança também vira verbete de dicionário.

No ano de 1979, Mario Lago atua como Alberico Santos, um homem sofisticado, típico morador do bairro de Copacabana, sobrevive das lembranças do passado e conta com a ajuda da filha para solucionar seus problemas financeiros. Com Dancin' Days, o autor Gilberto Braga inaugurou o seu estilo dramatúrgico, marcado pela crônica de costumes e pela discussão dos valores da classe média e das elites urbanas. Mário Lago e 35 companheiros são anistiados (alguns "in memorian") e reintegrados à Rádio Nacional, em 1980. O regime militar cada vez mais dava sinais de desgaste e alguns sinais de abertura foram possíveis. Talvez tarde de mais, para muitos que deram as vidas pela liberdade e democracia. Mario Lago não perdeu a sua vida por esta luta mas a luta ganhou muito com a presença ostensiva de Mario Lago. Na década de 80, a luta pela democracia se intensifica com a população indo às ruas ao lado de artistas e políticos liberais e progressistas. E claro lá estava Mario Lago ao lado da luta pela liberdade e direito de decidir o futuro do país através do voto direto: Diretas já. Em 1984, Mario Lago escreve um livor infantil, 'O Monstrinho Medonhento'. A história do monstrinho é constituida por duas partes bem distintas. A primeira conta a vida de Medonhento como monstro - e o embate entre o bem e o mal, o monstruoso e o humano; a Segunda fala da vida do monstrinho transformado em menino, com a questão do conflito entre progresso e destruição da natureza.

Vive em 1985 Compadre Quelemem, em uma obra prima da televisão brasileira, 'Grande Sertão Veredas'. Baseada na obra homônima de João Guimarães Rosa. A trama tem como eixo central a relação entre Riobaldo e Reinaldo/Diadorim tendo a terra como o grande tema da história. O vaqueiro Riobaldo narra sua vida num bando, cheia de combates, vinganças, longas viagens, amores e mortes. No mesmo ano atua como o Padre Lara, em 'O Tempo e o Vento' a maior obra da teledramaturgia brasileira até então. A minissérie é baseada na primeira parte da trilogia homônima de Érico Veríssimo, O continente. Mais de cem anos estão retratados no romance, de 1777 a 1895, período repleto de transformações sociais, políticas e culturais, essenciais para a formação do estado do Rio Grande do Sul. Ambas são produções especiais que comemoraram os 40 anos da TV Globo. No ano de 1988, o Brasil é impactado pelo assassinato de Chico Mendes, um ativista e sindicalista acreano que lutava pela melhoria de vida do povo da floresta bem como pela disseminação da economia sustentável na Amazônia, lutando contra grilheiros de terra e latifundiários. A repercursão do crime correu mundo afora e mais uma vez, lá estava Mario Lago lutando pela apuração isenta de todos os fatos, buscando a punição dos assassinos e mandantes.

Mario Lago atua ainda em 'O Salvador da Pátria' novela que retrata de uma certa forma , em 1989 a vida política do país naquele momento tão intenso politicamente, com a realização da primeira eleição direta para presidente em mais de 30 anos.

'Causos e Canções de Mário Lago', dirigido por Mário Lago Filho, estreia no Teatro Café Pequeno, Rio de Janeiro, tendo, depois, saído em excursão pelo Brasil por quase 10 anos.

Em 2001 a rua onde mora é fechada para comemorar seus 90 anos. Artistas e Autoridades o reverenciam. Mario Lago desafia o tempo e diz querer chegar aos 100 anos.

Morre em 2002, em sua casa. Foi velado no Teatro João Caetano, onde estreou como autor, numa despedida regada a samba e cerveja, de acordo com a antiga tradição da boemia.

E não para por ai... Em 2006, o concurso Nacional de Marchinhas carnavalescas é criado na Fundição Progresso, na Lapa, RJ com o prêmio Mario Lago.

A Casa da Moeda lançou, no dia 25 de novembro de 2011, a medalha comemorativa aos 100 Anos de Nascimento de Mário Lago. Seus netos Juliana Lago e Mário Lago Neto descaracterizam os cunhos da medalha ao lado do Chefe de Gabinete da CMB, Carlos Henrique Silva Boiteux.

Mario Lago está imortalizado para sempre na vida cultural do Brasil. O tempo passou lento e preguiçoso pela sua vida. O tempo parece jamais envelhecer sua obra, talvez por conta de sua relação com o tempo, talvez por conta do acordo que ele com o tempo fez.

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo; nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia, a gente se encontra". - Mário Lago "Eu não sou saudosista. Não fico lamentando: 'ah, o meu tempo'. Meu tempo é hoje." - Mário Lago.

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